As mulheres: seus meneios e peculiaridades

É extremamente complicado falar das mulheres. Primeiro, porque devemos ter o cuidado de não as ferir, de não as magoar. Beleza é fundamental, concordo; mas com um jeitinho carinhoso e malandro é possível ofendê-las, elogiando. Segundo e, principalmente, porque não somos verdadeiramente belos para condenarmos em alguém a falta daquilo que não temos em sobejo, simplesmente.

Falar das mulheres é falar de ausências preenchidas; é falar de angústias resolvidas; é revelar aos pobres homens, aparentes donos do mundo, que o supremo mestre da humanidade chegou: a mulher.

Animais! Não sentem o odor de cadela no cio!? Perderam a sensibilidade do olfato? Não percebem mais que somente das entranhas femininas, verdadeiramente femininas, é que fluem as mazelas menstruais? Onde estão suas narinas que não cheiram um palmo além do nariz?

São meigas, dóceis. Algumas são requintadas, outras meretrizes. As velhas são experientes e contrastam com as novas que são insolentes.

As requintadas são melindrosas – finas no trato. As meretrizes são enganosas – comidas no “prato”. As experientes são cautelosas, comedidas. As insolentes são descuidadas, “bolinadas” – é o que dizem.

Animais! Não percebem os seios ao vento desafiando a gravidade!? Que descuido, que maldade perder este espetáculo em nome de um jogo de cartas!

Olhem. Observem. Sorvam, ao menos por curtos instantes, o dorso malhado da jovem nubente. Que pernas fartas! Será que suas mãos não conseguem tocar, embaralhar mais nada além desse estático rei destronado!

São honestas, são insanas; umas, santinhas; outras, profanas; São tímidas, recatadas; outras, atrevidas, atiradas. Quais os tipos que mais te perturbam? Esqueci... As cartas.

São loiras. Ah, as loiras... Outras morenas. Ah, as morenas... Outras... Ah, as outras: as ruivas, as mulatas, as pardas, as orientais – olhos puxados que atraem minha libido!

São todas belas, místicas e únicas. Todas me vencem. Para todas vocês, de todos os eternos perdedores:

Animais!

Nijair Araújo Pinto

Fortaleza – Ce, 08 de março de 1999.

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