Um possível adeus...

Por que tem que ser assim?

Sei que nos encontramos apenas num mundo imaginário onde a imensa maioria dos habitantes usa de meios insidiosos para se fazer existir! Sei também, e isso muito me apavora, que nesse mundo traiçoeiro e forçosamente perfeito, as pessoas surgem em nossas vidas e dela desaparecem num romântico fechar d’olhos... Do nada elas cruzam nosso caminho, encantam-nos e nos deixam indefesos; sem explicação, isso é que me dói, tomam rumos diferentes daqueles que prevíamos quando do encontro primeiro, quebram o encanto único de um possível amor impossível e nos deixam indefesos!

Indefesos... Essa é a palavra-chave dos míseros proscritos que se despojam das amarras sociais e acreditam na possibilidade de um amor virtual... Sim! Somos indefesos... Estamos indefesos! Acreditamos em quem estava do outro lado e agora estamos sozinhos, esquecidos, tristes, esquivos, indefesos!

Quando penso em cada palavra que lia ao toque suave dos seus dedos... Quando imagino cada “sussurro” de esperança advindo do desconhecido, mas envolvente mundo de uma mulher que se fazia minha... Quando, num simples esforço mental, consigo imaginar e reviver, quase sentindo, o gozo ofegante e extasiante da fêmea que amei e que se permitiu amar por mim numa doação sem precedentes... Tudo isso, agora aos turbilhões, apavora-me o fraco espírito, inquieta-me a alma, deixando-me ainda mais indefeso!

Onde errei? Por que não mais existe a necessidade premente de um novo encontro, de uma nova doação de corpos sedentos de carinho, de ternura e de amor? Por que agora estamos fadados ao acaso, a um novo prodígio casuístico da fatalidade para continuarmos algo que me pareceu tão forte e verdadeiro? Será que mais uma vez o mal vencerá o bem e a máscara irreal da virtualidade esmagará o mundo real? Será que todas aquelas palavras, todos aqueles gestos de ternura, de aceitação do novo... Será que tudo era fruto de uma carência efêmera que se foi nos braços patéticos do tempo?

Do outro lado existe alguém vivo, sabia? Existe sentimento! Existe um coração que pulsa, batendo hoje mais fortemente porque você existe e porque você cruzou o caminho dele! Se nada mais há... Se, de tudo, restaram apenas sorrisos – talvez pedantes – da satisfação do sofrimento alheio, avise-me! Sei que estou indefeso, mas adoraria fortalecer meu espírito ora tão fragilizado por causa do desprezo seu!

Tem que ser assim? Por quê?

Nijair Araújo
nijair@uol.com.br

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