Prelúdio em solidão
Tuas mãos, agora, ao desnudarem teu corpo, revelam tua tez; E de onde me encontro imagino tuas formas, criando minha própria tela; Sou míope e não posso romper a barreira da janela, Mas meus olhos, fechados, vislumbram tua nudez.
As peças mais íntimas já saíram de ti – estão soltas no chão; Tenho ímpetos de gritar, sair daqui – livrar-me da solidão; Mas meus olhos fechados não me permitem pensar: Paralisam-me, excitam-me, e me fazem sonhar.
Mãos minhas... Tuas mãos... Que dizer desta peça em quatro mãos, De um maestro atrevido movendo a baqueta?
O espetáculo...: Parar a retreta! Que maldade privar o maestro vibrante no êxtase da regência... Ah que gostoso... Em fim a salutar deferência.
Nijair Araújo Pinto, 23h02min
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