O choro

Ao rolarem, intrépidas, banhando o rosto meu,
Lágrimas mornas carregam meu clamor.
Desencantado, vítima insânie da usura,
Choro não negando a desventura,
Do teu amor que se perdeu.

Essas gotas, minha amada,
Lavam-me a alma que, sufocada,
Repete a hora do imprevisto não.
Relâmpagos do desgosto – caem,
Banhando-me o sentimento.

E as mesmas mãos que no passado afagavam teu corpo...
Minhas mãos – lembro as carícias...
São hoje – que lúgubre ironia!
Sustentáculos por onde escorrem as lágrimas do amor findo.

‘Stou distante, afastado do mundo, da imensidão;
‘Stivemos amantes – pergunto-me, afinal:
“Foi amor em demasia,
Que me trouxe a solidão?
Ou amar com primazia,
É pintura obsoleta sem valor sentimental?”

Que venham as inovações, ó Deus!
Mas não permita que a rigidez dos corações
Dissocie o amor da fantasia;
O canto – lúdica razão romântica – da poesia.

Se o meu canto – angústia poética –
Não mais afaga o ego da menina de soberba ilusão,
Deixa-me morrer ao som de um verso;
Prefiro a morte aos apelos do capital.

Nijair Araújo Pinto, 18h42min

voltar
>> indique este site para um amigo <<




Escolha sua música de fundo...